02/01/2026 às 23:37 Street Photography

Eu sou um câmera ambulante

29
5min de leitura

Entre os olhares dos asfaltos

por phCrys

Fotografia e Direção Criativa

Reflexões de um ex -fotógrafo de rua




Capítulo 1 – “Por que fotografar a rua?”

– Introdução à série

– Questionamentos que as pessoas fazem (ou pensam)

– Minha motivação pessoal

– Meu desejo de ser transparente com quem vê meu trabalho

Capítulo 2 – “Que se dane”

– Desabafo sobre a incompreensão

– O processo de apagar trabalhos antigos

– A decisão de não explicar mais minhas fotos

– A valorização das interpretações individuais

Capítulo 3 – Preto & Branco




Introdução – Por que começar essa série?

Fotografar a rua nunca foi sobre aplausos ou likes.

Sempre foi sobre observar, documentar a loucura comum da cidade.

Esse espaço que estou abrindo aqui no blog é quase um diário. Um lugar onde posso falar como eu sempre quis, sem caga regras, sobre as fotos que fazia na rua com o olhar atento a detalhes quê normalmente ninguém perceberia.

Durante muito tempo, tentei moldar meu trabalho pra caber nas expectativas dos outros.

Essa série é uma forma de reconectar com o que realmente importa pra mim: fotografar o que me interessa. E se, no meio disso tudo, alguém se identificar, ótimo. Mas se não, tudo bem também.


Por que fotografar a rua? Por que sair por aí perdendo tempo fotografando coisas que, pra muita gente, não têm graça?

Algumas pessoas levam pra todos os lugares um celular, ou algum acessório indispensável, eu levo minha câmera, cada um limpa o seu próprio toba.

Essas perguntas quase nunca me fazem de forma direta. Mas eu percebo, nos olhares ou comentários soltos.

E tudo bem.

Mas é por isso que resolvi escrever esses posts de um jeito bem direto, bem transparente, quase como um bate-papo. Quero que, ao olhar minhas fotos, você consiga entender o que o que eu vejo, o que eu sinto, e por que esses momentos aparentemente simples fazem sentido.



Capítulo 2 – “Que se dane”

Pra alguns, pode soar arrogante: eu quero que se dane se não entenderem minhas fotografias.

Durante muito tempo, eu tentei explicar. Tentei justificar. Apaguei blogs, excluí perfis no Instagram, tirei do ar sites onde eu compartilhava meu trabalho autoral. Tudo porque eu achava que precisava fazer sentido pros outros.

Cheguei até a excluir 80% do meu trabalho já feito até os dias de hoje.

Não preciso mais disso. Minhas fotos falam por si. E mesmo que eu quisesse, eu nunca conseguiria fazer com que todo mundo enxergasse nelas o que eu vejo.

Cada pessoa carrega uma bagagem diferente, visual, cultural, emocional. Cada olhar é único e é justamente isso que faz a fotografia de rua ser diferente: ela conversa com cada pessoa de um jeito diferente.

Não quero mais traduzi-las, quero que falem direto com quem olhar para elas, sem precisar de legenda.

E se não funcionar, que se dane!



COMO UMA FOTO DE UM BANHEIRO PÚBLICO PODE SER INTERESSANTE?



E, sinceramente… talvez nem seja. Essa fotografia específica eu fiz aleatoriamente, andando na rua.

Mas aí vem a pergunta: o que me faz clicar?

Estou fotografando pra mim! Eles correm na praça pela tarde, eu fotografo na praça pela tarde.

A resposta é simples e vem com o tempo. Quem fotografa acaba desenvolvendo o que eu chamo de feeling. Aquela sensibilidade quase intuitiva, fazer com mais amor, com mais vontade, com mais prazer.

Quando clico algo na rua é porque eu já visualizei o resultado antes mesmo de fazer a foto. Chamo isso de “Mapa Visual”. Ando na rua observando esses easter eggs visuais.




Capítulo 3 – Preto & Branco

Tenho uma verdadeira paixão pelo preto e branco.

Não é só uma escolha estética é uma viagem no tempo. Toda vez que clico uma fotografia em P&B, sinto que a imagem conversa muito mais como história. Como se eu conseguisse escutar o silêncio barulhento daquele momento. As cores me distraem muito, essa mesma fotografia em cores eu não prestaria tanto atenção na história que está acontecendo ali, os trabalhadores, o caminhão preparando o cimento e etc.

Quando fotografo, estou capturando um pedaço da vida de alguém. Um fragmento de tempo que não volta mais. E o preto e branco me ajuda a contar essa história com mais clareza, mais emoção.

As cores têm seu valor, claro. Mas, pra mim, elas acabam funcionando como distração. E o que eu busco é um pouco de silêncio, ou algumas vezes um caos total mesmo e que se dane.

No preto e branco, tudo se encaixa. As formas, a luz, as sombras. E, principalmente, a narrativa que tento contar.

É como se, ao tirar as cores, revelasse a alma dessas cenas do cotidiano. Damos mais valor ao que vemos.




Capítulo 4 – IMEDIATISMO

Aproveitando que venho falando sobre como conto histórias com minhas fotografias, quero mostrar um outro lado do meu trabalho, registro em eventos.

Essas imagens, em preto e branco, falam muito.

Mostrar o que é real pode não ser o que mais vende, mas é o que mais me interessa. É nesse tipo de fotografia que eu me encontro.

Agora te convido a olhar com calma essas fotos. Tente sentir o que elas dizem, sem pressa.


Aqui eu só estava focado em fotografar oque eles sentiam naquele momento.






Capítulo 5 – O Valor do Simples

Quero usar este espaço pra compartilhar mais das minhas fotos, sem a pretensão de convencer ninguém a gostar.

Essa fotografia aqui, por exemplo… talvez, pra muita gente, passe despercebida. Mas pra mim, ela carrega uma história desconhecida.

Fiz ela em preto e branco porque gosto de como esse estilo me permite imaginar narrativas, toda vez que volto a olhar.

Na imagem, uma senhora vivendo o seu dia. Simples assim. E foi justamente essa simplicidade que me prendeu o olhar. A sua vestimenta, sua postura, o jeito como "ocupava aquele pequeno pedaço da cidade"… Eu não conheço ela, mas o fato de ter fotografado me faz imaginar como foi e como está sendo a sua história de vida. As vezes não tem nada demais, as vezes ela salvou um cachorrinho, ou ajudou milhares de ONGs, nunca vamos saber, eu gosto de colecionar essas memórias imagináveis.

Gosto de guardar esse tipo de momento. Provavelmente eu nunca mais irei ver essa senhora na vida, como em todas minhas fotos, gosto dessa ideia de que quando eu fotografo.

Fragmentos do cotidiano que, à primeira vista, parecem banais, mas que, pra mim, têm sentido. É isso que faz a fotografia de rua ser tão especial: a beleza que mora no que a maioria ignora.

No fim das contas, esse post não é só sobre fotografia de rua. É sobre olhar. Sobre escutar o silêncio das imagens. Sobre dar valor ao que passa batido.

Durante muito tempo, tentei encaixar meu trabalho nos moldes que esperavam de mim. Fui apagando coisas, escondendo fotos que eu mesmo gostava, tentando dar sentido pra quem talvez nunca vá entender.

Hoje, não ligo mais pra isso.

Se você chegou até aqui, obrigado. Não por gostar do que viu, mas por ter se permitido olhar com calma.

Que esse post tenha sido menos uma galeria e mais uma pausa.

phCRYS

Fotografia e Direção Criativa


Acesse a galeria aqui!

https://www.phcrys.com.br/gallery/138266-sem-titulo

02 Jan 2026

Eu sou um câmera ambulante

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